Já destacamos aqui o trabalho de Letícia de Souza Furtado e de Wilson Frank Jr. sobre o linchamento do Guarujá; esta semana, a escritora Vanessa Bárbara destacou em artigo para o International New York Times (link para a tradução) que os linchamentos no Brasil estão aumentando em número. Vanessa Bárbara informa que, segundo o sociólogo José de Souza Martins, “há pelo menos uma tentativa de linchamento por dia no Brasil”.

Destaquemos, no entanto, um trecho do artigo:

Em uma entrevista para uma revista online, Martins disse que os linchamentos são uma modalidade de comportamento coletivo cuja dinâmica, em parte, é regulada pelo contágio: quanto mais visibilidade ganham, mais linchamentos ocorrem. “A transformação do crime em espetáculo da mídia e das redes sociais tem sido um provável fator de multiplicação do número de linchamentos”, afirmou. “O noticiário emocional e não raro superficial e desinformado estimula a difusão dessa prática.”

Cabe sem dúvida uma investigação dessa mediação dos linchamentos. Não há dúvidas sobre o contágio por mediação interna que há em todo linchamento. Porém, poderíamos agora falar de um contágio prévio, por mediação externa, em que cada pessoa, ao ouvir falar de outros linchadores distantes, deseja ser linchadora também?