Entre 19 e 23 de setembro, acontece no Instituto de Letras da UERJ o XV Congresso da Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC). Haverá uma mesa especial sobre teoria mimética, que será divulgada amanhã, e com simpósios, cuja programação divulgamos abaixo.

Para simplesmente assistir a qualquer mesa, basta aparecer. O Instituto de Letras fica no 11º andar.

Teoria Mimética: Desdobramentos E Possibilidades

Coordenadores: Marcus Vinícius Nogueira Soares (UERJ), Johannes Kretschmer (UFF)

RESUMO: A trajetória de René Girard teve como base a interdisciplinaridade. Seu primeiro livro, Mentira Romântica e Verdade Romanesca (1961), é um brilhante ensaio de crítica literária e de literatura comparada. Em seu segundo livro, A Violência e o Sagrado (1972), o “crítico literário” reinventou-se, ampliando suas áreas de interesse até abarcar a antropologia, os estudos da religião e a análise do mito. Por fim, com a publicação de Coisas Ocultas desde a Fundação do Mundo (1978), como o título sugere, em sua alusão ao Evangelho de São Mateus, o “crítico literário-antropólogo” voltou a forjar uma nova identidade por meio de uma apropriação muito particular das Escrituras. A partir de então, a preocupação teológica e antropológica constituiu o eixo de sua teoria. O cruzamento das duas disciplinas não só levou à elaboração de uma antropologia propriamente mimética, como também favoreceu o esboço de uma teologia antropologicamente orientada. Mencione-se ainda uma leitura antropológica que encontra na Bíblia a matriz da noção de intertextualidade. Nos dois casos, a força da obra girardiana reside na capacidade ímpar de descobrir relações inesperadas entre textos das mais distintas tradições. A formação de paleógrafo e de crítico literário deixou marcas permanentes em sua reflexão. Assim, mesmo quando suas preocupações intelectuais conheceram novos rumos, a leitura detetivesca de textos continuou a ser um dos traços mais originais de sua abordagem.

PROGRAMAÇÃO:

[20 minutos para cada comunicação]

TERÇA 20

MANHÃ 9h às 11h

SESSÃO 1

Carla Hauer Grivicich (UERJ) José de Alencar e o apagamento do outro

Pedro Sette-Câmara (UERJ) A noção girardiana de méconnaissance, e seu papel em Facundo e O Guarani

Igor Alexandre Barcelos Graciano Borges (UEMS) O sublime na monstruosidade

QUARTA 21

MANHÃ 9h às 11h

SESSÃO 2

Natália Da Silva Gama (UFRJ) Sêneca e Girard

Elvis Freire Da Silva (UFC) Gênero e metalinguagem em Tesmoforiantes de Aristófanes e Como Gostais de Shakespeare

Vinicius Schröder Senna (UERJ) Reputação e ressentimento no ambiente literário

QUINTA 22

MANHÃ 9h às 11h

SESSÃO 3

Claudio Fernandes Ribeiro (UFG) Lúcio Cardoso e o delineamento da investigação romanesca em A Luz no Subsolo

Maria Alice Sabaini De Souza Milani (UNESP) Entre o desejo e a violência: uma leitura de A Legião Estrangeira sob a perspectiva de René Girard

Helton Marques (UNESP-Assis) Memória, Teoria Mimética e Violência em Angústia, de Graciliano Ramos

SEXTA 23

MANHÃ 9h às 11h

SESSÃO 4

Julius François Cunha Dos Santos (UEA) O desejo triangular em A Mulher sem Pecado

Júlia Reyes (UERJ) Reencontrando o pai: uma análise do conto “O Transeunte” de Carson McCullers sob uma perspectiva girardiana