Miméticos

Um blog sobre René Girard e a teoria mimética

Tag: Méconnaissance

Entre a mentira romântica e a verdade romanesca

Uma das importantes observações feitas por João Cezar de Castro Rocha em suas introduções à coleção René Girard da É Realizações é a seguinte: mesmo em seus escritos sobre literatura, Girard não está interessado na literatura em si, na literatura como entendida pelas faculdades de Letras, na “literariedade”, mas na capacidade que a literatura tem de investigar o desejo mimético, o contágio da violência etc. Não por acaso, a obra de Girard logo passa da literatura à antropologia, e depois se dirige para os estudos bíblicos. Em alguma entrevista (o leitor fica convidado a enviar o link), alguém dizia que, antes de escrever Rematar Clausewitz, Girard estaria na dúvida entre trabalhar com Virginia Woolf (especialmente o romance The Waves) ou com Carl von Clausewitz; sabemos qual foi sua decisão.

Na leitura mais superficial de Mentira Romântica e Verdade Romanesca, logo ficamos sabendo que existiriam dois tipos de obras. A “mentira romântica” englobaria as obras nas quais existe uma relação direta de desejo entre o sujeito e o objeto. A “verdade romanesca” dos cinco autores discutidos no livro — Cervantes, Stendhal, Flaubert, Dostoiévski e Proust — consistiria em trazer a natureza mimética ou triangular do desejo para o primeiro plano. Alonso Quijano torna-se Dom Quixote para imitar os livros que lê; Emma Bovary tem amantes para ter uma vida cheia de emoções, como as das heroínas dos romances que lê. Julien Sorel quer ser como Napoleão. Nas obras de Dostoiévski e de Flaubert, encontramos a predominância da “mediação interna”: os personagens imitam mais a si mesmos do que figuras distantes de seus mundos “espirituais”, caracterizando a “mediação externa”.

Contudo, o próprio Girard comenta que a percepção do mimetismo nos autores estudados pode ser escalonada em graus. Nenhum destes chega a um esboço de sistematização (exceto Shakespeare, que viria a ser discutido em Teatro da Inveja), trabalho que fica com a teoria. Porém, como o próprio Girard fala, no prefácio a To Double Business Bound, do “potencial quase-teórico da literatura”, não apenas a continuidade entre literatura e crítica fica estabelecida, como abre-se a porta para uma resposta satisfatória à questão de muitos leitores, sem a menor pretensão de tornar-se críticos literários, lerem literatura para entender melhor as próprias vidas.

Do lado crítico, uma das primeiras observações a fazer é que muitas vezes a mentira romântica e a verdade romanesca aparecem juntas na mesma obra. Por exemplo, o breve primeiro romance de Michel Houellebecq, Extension du Domaine de la Lutte [Extensão do Domínio da Luta], que reúne praticamente todos os temas que virão a ser tratados em seus romances posteriores, mistura a consciência aguda da competição violenta pelos mesmos objetos com uma crença determinista de que o desejo por esses objetos é totalmente ordenado por uma lei natural e impessoal — não por um terceiro, próximo ou distante. Todavia, como no caso do tarantismo, é a crença nessa lei impessoal, “natural”, que permite a Houellebecq abordar a onipresença da violência.

Assim como no caso de um continuum entre o conhecimento e a méconnaissance, mesmo que tenhamos a verdade romanesca e a mentira romântica como pólos ideais, existe um enorme terreno pelo qual forçosamente nos movimentamos, sem no entanto perder de vista a dimensão ética, orientada pelo reconhecimento da centralidade de um outro na estruturação do eu.

Méconnaissance e totalitarismo em The Wire

Num artigo para a Revue des Deux Mondes, René Girard define o totalitarismo como “ter um bode expiatório sabendo-se que se tem um bode expiatório”. É uma diferença fundamental para a sociedade primitiva, pois nela o mecanismo do bode expiatório depende, como se sabe, da méconnaissance, isto é, de uma organização dos dados feita a partir do ponto de vista dos agressores. E se, como vimos anteriormente, no caso do tarantismo, é a crença num elemento “mágico” que permite que certos dados sejam abordados, no totalitarismo não haveria nenhuma crença que servisse de justificativa. Se cruzarmos essa definição com a noção de méconnaissance, veremos que o aspecto voluntário desta fica enfatizado. Como a méconnaissance não é uma ignorância, mas uma determinada organização dos dados que permite uma ação menos eficaz sobre o mundo. Também podemos dizer que o totalitarismo, pensando na definição dada por Girard, é antes uma atitude de méconnaissance cínica que pode estar presente em qualquer ato estatal, ainda que, é claro, não necessariamente em todos os atos estatais, independentemente de o regime que pratica o ato ser “democrático” ou “totalitário”.

Considerando o vasto gênero de obras que pretendem criticar esses atos estatais de méconnaissance “inocente” ou totalitária, é hoje impossível não destacar a série americana The Wire, julgada por muitas pessoas (inclusive por mim mesmo) a melhor produção televisiva de todos os tempos.

A trama de The Wire começa de um jeito que poderia parecer familiar aos brasileiros: um tenente da polícia de Baltimore monta uma força especial para combater traficantes e assassinos usando antes a violência do que a força bruta. No entanto, alguns de seus subordinados acham que esse negócio de inteligência é ridículo, e que o negócio é ir até onde os bandidos moram e mostrar quem é que manda — a polícia, claro. Os três chegam de carro a um dos projects, os conjuntos habitacionais de Baltimore, e começam a gritar, ameaçando os moradores, que respondem sem pudores, lançando garrafas e até eletrodomésticos do alto do prédio. Logo os temerários policiais são abordados por alguns rapazes. Um deles, menor de idade, dirige-se ao agente Pryzbylewski — na série, tratado quase sempre como “Prez” — de maneira, digamos, irreverente. Prez dá-lhe uma coronhada na cara; o garoto acabará, nos episódios seguintes, perdendo a visão do olho golpeado.

(O vídeo mostra a sequência inteira e termina com a fala de Daniels.)

Não, agente Pryzbylewski. Ele não ‘te irritou’. Ele fez você temer pela sua segurança e pela de seus colegas. Imagino até que talvez… Alguém o tenha visto pegar uma garrafa e ameaçar os agentes Hauk e Carv, os quais já tinham sido sofrido ferimentos causados por projéteis voadores. Em vez de usar força letal numa situação como essa, talvez você tenha preferido abordar o menor, ordenando que ele largasse a garrafa. Talvez, quando ele ergueu a garrafa de maneira ameaçadora, você tenha usado uma lanterna, e não sua arma de serviço, para incapacitar o suspeito. Se você falar besteira quando falar com a corregedoria, eu não tenho como dar um jeito, você vai ter de se virar.1

Destaquemos as observações principais:

  1. A vítima da coronhada é o garoto, agredido de maneira indiscutivelmente desproporcional.
  2. Pryzbylewski poderia ser “vítima” da corregedoria.
  3. O tenente Daniels quer “ficar do lado” de seus homens para não ser ele próprio mal visto. (Dizer que “ser mal visto” seria equivalente a “ser perseguido” parece um exagero, mas talvez se possa dizer que qualidades “mal vistas” se aproximam de “sinais vitimários”.)
  4. Ao mesmo tempo, o tenente Daniels pode ficar mal visto se sua nova unidade estrear praticando a mesma violência inútil que ele próprio condenou.
  5. Todos os agentes, exceto o garoto golpeado, são agentes estatais.

Lembremos que a vítima da coronhada não é um bode expiatório no sentido “técnico” de A Violência e o Sagrado (ele teria de voltar e apaziguar uma comunidade inteira para isso, ser divinizado etc.), mas é sem dúvida um bode expiatório em sentido corrente, alguém que recebe a culpa por conveniência.

O detalhe mais interessante é que os policiais não seriam “vítimas” no mesmo sentido que o garoto foi vítima de uma coronhada. Os policiais passariam por processos administrativos e não sofreriam qualquer violência física institucional. No entanto, um dos mocinhos da história, o tenente Daniels, destaca-se por saber manejar a linguagem burocrática e preservar a instituição de suas próprias faltas; a violência praticada por policiais em serviço é, por definição, institucional.

Daniels tem remorsos, acompanha a situação do garoto, é acordado no meio da noite quando ele perde a visão. Ele sabe o que fez: tem consciência, mas não tem medo. Seus superiores não vão repreendê-lo, e, no fim, a única pessoa que vai sofrer terá sido o garoto, sem que qualquer um dos envolvidos desconheça alguma causa fundamental daquele ato de violência.

  1. No original: “No, officer Pryzbylewski. He did not ‘piss you off.’ He made you fear for your safety and that of your fellow officers. I’m guessing now, but maybe… He was seen to pick up a bottle and menace officers Hauk and Carv, both of whom had already sustained injury from flying projectiles. Rather than use deadly force in such a situation, maybe you elected to approach the youth, ordering him to drop the bottle. Maybe when he raised the bottle in a threatening manner, you used a Kel-Lite instead of your service weapon to incapacitate the suspect. Go practice. You fuck the bullshit up when you talk to internal I can't fix it, you're on your own.” ↩︎

Notas sobre a Méconnaissance segundo Paul Dumouchel — 2

Terminando a exposição sobre a visão da méconnaissance apresentada por Paul Dumouchel, vamos descrever os exemplos dados por ele: o fenômeno do tarantisrenmo como apresentado no livro La Terra del Remorso do antropólogo Ernesto de Martino, bem como o conceito de "véu da ignorância", apresentado por John Rawls em A Teoria da Justiça.

O tarantismo

O tarantismo é uma crença hoje defunta do sul da Itália, originária da cidade de Taranto, segundo a qual uma pessoa pode ser curada da mordida de uma aranha — uma tarântula — dançando uma tarantella, muitas vezes por dias a fio.

De Martino começa La Terra del Remorso averiguando se o tarantismo é uma doença, física ou mental, ou uma forma menor de religião, uma formação cultural peculiar. A hipótese da doença é logo descartada, e o antropólogo se concentra na hipótese da formação cultural.

De acordo com Dumouchel, de Martino deixaria claro que os parentes e amigos das vítimas do tarantismo estariam perto de "saber a verdade sobre o tarantismo", cientes de que as pessoas afligidas por ele costumam estar passando por dificuldades, ou presas em conflitos insolúveis, como casamentos forçados, sem amor. Dumouchel suspeita que os envolvidos no tarantismo podem ter esse conhecimento maior justamente porque acreditam que uma aranha venenosa possa provocar um estado cataléptico do qual a pessoa sai por meio de uma espécie de exorcismo musical. A prova de que elas acreditam nisso é o fato de elas estarem dispostas a pagar quantias significativas para músicos que toquem a tarantella por dias a fio, e também para alimentar não apenas eles, mas também a pequena plateia que se forma em torno da pessoa "tarantata" (fazendo-nos pensar imediatamente no português "atarantado") até que ela, de tanto dançar, tenha um colapso de exaustão. O quarto da pessoa também é decorado com a aranha em mente, com cores da preferência dela, com cordas que, penduradas do teto, simulam uma teia. Por fim, os envolvidos no tarantismo faziam uma peregrinação anual à igreja de São Paulo em Galatina.

O "véu da ignorância" de John Rawls

O segundo exemplo de Paul Dumouchel diz respeito à noção de "véu da ignorância" apresentada no livro Uma Teoria da Justiça, de John Rawls.

Esse véu nasce de uma experiência hipotética. Algumas pessoas são convocadas a escolher a melhor teoria da justiça para regular suas vidas. Elas não podem saber nada, nem mesmo a respeito de si mesmas. Não sabem se são ricas ou pobres, nem qual sua própria profissão. Assim, cobertas por esse véu de ignorância, elas se tornam de certo modo anônimas aos próprios olhos. Todavia, elas têm acesso a informações gerais sobre a sociedade e as pessoas, a dados das ciências naturais etc. O objetivo do véu é impedir que as pessoas se tornem enviesadas a seu próprio favor. Constrói-se uma situação ideal na qual se tem a esperança de descobrir alguma coisa sobre a justiça. Assim que o véu da ignorância é levantado, as pessoas não podem se arrepender das decisões que tomaram. O remorso fica, portanto, deslegitimado. Ele pode ter uma causa, mas não uma razão.

Conclusão

No caso do tarantismo, a méconnaissance associa aranhas, dança, música e cores, e possibilita o remorso, permitindo aos agentes enfrentar um passado que lamentam. No caso de Rawls, a méconnaissance — o véu da ignorância — proíbe o remorso. Os agentes não podem lamentar as decisões tomadas naquelas condições ideais.

Dumouchel conclui — e ainda poderíamos nos perguntar até que ponto isto é uma divergência em relação ao próprio Girard — afirmando que existem muitos tipos de méconnaissance, mas que aquele que interpreta mal ("misreads") o papel da própria méconnaissance ameaça mais a estabilidade social do que o conhecimento da origem violenta da própria méconnaissance

Notas sobre a méconnaissance segundo Paul Dumouchel

René Girard produziu sua obra de maneira eminentemente ensaística. Apesar da existência de um dicionário com termos girardianos, ainda cabe aos estudiosos da obra do pensador francês perguntar-se sobre o uso que se faz de certos termos, seja para conhecer pontos de discordância ou com concordância, seja para apenas demarcar uma certa continuidade. É com esse espírito que pretendemos apresentar notas sobre a parte teórica do artigo de Paul Dumouchel De la méconnaissance (apesar do título em francês, o texto é em inglês; basta clicar abaixo de “full text”). O artigo tem mais duas partes, com discussões de exemplos, que não serão tratadas aqui.

Dumouchel começa fazendo uma observação para os leitores de língua inglesa, ainda mais pertinente para os leitores de língua portuguesa: a rigor, não existe um termo que traduza o francês méconnaissance. O substantivo, derivado do verbo méconnaître, costuma ser traduzido como “não conhecer” ou como “ignorar”, mas, como observa Dumouchel, seria mais preciso entender que ele indica “não reconhecer”. O próprio dicionário Grand Robert o confirma, acrescentando: “não identificar”. A própria palavra méconnaissance, portanto, não diz respeito a um puro e simples desconhecimento, a uma mera ignorância, mas a não reconhecer algo que no entanto se esperava ou se devia reconhecer.

Se connaissance é knowledge ou conhecimento, em inglês seria possível criar o neologismo mis-knowledge, mas o português não dispõe de um equivalente do prefixo anglo-germânico mis-, que foi herdado pelo francês moderno na forma mé-. O mais próximo que temos é o uso de “mal-“ na palavra malentendido, que indica não uma ignorância, mas que algo foi entendido sim, ainda que de modo enviesado. Porém, como a correspondência entre o francês “mé-”, o inglês “mis-”, e o português “mal-“ é uma aproximação bastante imperfeita, não parece recomendável propor o neologismo “malconhecer”.

Ficamos assim de certo modo forçados a contrapor méconnaissance a connaissance, ou conhecimento. Paul Dumouchel observa que, ao menos na tradição anglo-saxônica para a qual está escrevendo, costuma-se entender “conhecimento” como “crença verdadeira, justificada”. Nesse sentido, nem se pode falar em “conhecimento falso” sem cair em flagrante autocontradição. Se a méconnaissance, porém, não é uma ignorância, um desconhecimento, nem exatamente algo de todo falso, o que é?

Paul Dumouchel traz a noção utilitária de Karl Popper do conhecimento como algo objetivo, um “artefato exossomático”, que existe fora dos indivíduos e pode ser apreendido por eles com diversos fins, ou segundo diversas maneiras de agir sobre o mundo. Nesse sentido, pode-se falar de um conhecimento melhor ou pior, isto é, que permite uma ação mais ou menos precisa sobre o mundo.

Acrescenta-se a isso a noção de que a méconnaissance é uma espécie de mentira contada a si mesmo. Existem, é claro, espécies diversas de mentiras. Primeiro pensamos naquela espécie em que conhecemos o mundo e pretendemos manipular o entendimento de outras pessoas a seu respeito. Guardei o doce no lugar X e digo que acabou para não ter de dividi-lo. Porém, como bem observa Dumouchel, podemos mentir para nós mesmos, aproximando-nos da mauvaise foi de Sartre, querendo que o mundo seja diferente. O exemplo dado no artigo é o seguinte: vejo indícios claros de que minha esposa está sendo infiel; contudo, prefiro interpretar esses indícios de modo a sugerir que ela continua fiel. O que está em jogo é a maneira como escolho organizar esses dados, e isso, por sua vez, também permitira a “conversão romanesca”, que é a visão dos mesmos dados sob uma nova luz, e não o acréscimo de outros dados.

Sempre segundo Dumouchel, a méconnaissance reside portanto na intenção, ou na direção da atitude em relação ao mundo. O conhecimento teria a verdade como instância reguladora, buscando ajustar-se ao mundo. A méconnaissance buscaria ajustar o mundo a ela própria, recorrendo portanto à violência.

É importante fazer duas observações aqui.

Primeira, Dumouchel recorda que Girard diz repetidas vezes que a méconnaissance cresceria junto com o conhecimento. Se entendermos conhecimento como um artefato que permite agir sobre o mundo, não é difícil entender o que Girard quer dizer. Novas maneiras de agir sobre o mundo abrem novas possibilidades de conhecimento e de méconnaissance.

Segunda, e esta não está no artigo de Dumouchel: na nota de rodapé incluída no volume De la Violence à la Divinité, que já traduzimos no blog, bem como no trecho de Evolução e Conversão que discute a “virada epistemológica”, Girard fala da impossibilidade de se criar um “espaço não-sacrificial” onde possa surgir o conhecimento. O conhecimento, então, depende de uma decisão de sacrificar-se a si mesmo para não cometer violências contra o mundo. A instância reguladora, ética, nunca está ausente no conhecimento.

Voltando ao texto de Dumouchel, temos a observação de que Girard usa a palavra méconnaissance em pelo menos dois sentidos. Podemos ter a méconnaissance como a vontade de não examinar um determinado corpo de conhecimentos, ou a méconnaissance derivada da méconnaissance individual que pretende que o mundo, e especialmente a origem da cultura, não seja de uma certa maneira.

Paul Dumouchel ainda faz algumas observações interessantes na parte teórica de seu texto. Julga que o cristianismo abala a cultura mais por destruir uma unanimidade do que por revelar a inocência da vítima. O cristianismo pode ser a revelação da centralidade da vítima que acaba com a méconnaissance a respeito de sua inocência; porém, seria a quebra daquela “unanimidade menos um”, derivada da revelação, que iria extinguindo progressivamente a méconnaissance a respeito desse ponto específico. Mais ainda, retomando (no entanto, a conexão entre os dois pontos é nossa) o que disse sobre a méconnaissance residir na “direção” da atitude cognitiva em relação ao mundo, para Dumouchel é a atitude de caridade, de reconhecimento da fragilidade e da humanidade do outro, mais do que de sua “inocência”, que vai pouco a pouco neutralizando a méconnaissance.

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