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Formato: 14 X 21,5 cm
Número de Páginas: 144
Acabamento: Brochura
ISBN: 978-85-8033-049-6

 

 

Deus, uma invenção?

René Girard, André Gounelle e Alain Houziaux

Deus seria uma invenção dos homens? Ele seria uma criação de sua angústia, de sua culpa, de sua sede de imortalidade? Ou, simplesmente, do seu desejo de encontrar a paz, o amor e o perdão?

Pode-se provar que Deus não é uma invenção? Pode-se provar que ele, de fato, existe?

Este livrocoloca à disposição do leitor um diálogo surpreendente. Os três ensaios aqui coligidos colocam em debate o pastor Houziaux, o teólogo protestante André Gounelle e o pensador René Girard acerca da questão: “Deus: Uma Invenção?

Deus seria uma invenção dos homens?

O pastor Alain Houziaux expõe os argumentos de Santo Anselmo, Descartes e Santo Tomás de Aquino, que tendem a demonstrar que Deus não é uma invenção.

O professor René Girard, antropólogo, vê nos deuses uma personalização do sagrado. Os deuses, ele explica, são identificados por um processo social e religioso encontrado em todas as culturas. Eles bloqueiam o processo de autodestruição das sociedades. De fato, todo homem é motivado pelo desejo do que o outro deseja (fenômeno da rivalidade mimética), o que o conduz à vingança. A autodestruição das sociedades seria inevitável se os homens não se reconciliassem para linchar, através de um assassinato coletivo, um bode expiatório. E é este mesmo bode expiatório, considerado ao mesmo tempo muito ruim (a ponto de ser linchado) e muito bom (visto que reconcilia a comunidade), que é divinizado. A especificidade e a verdade do cristianismo residem no fato de ter reconhecido que, ao contrário do que supõem os mitos arcaicos, a vítima do linchamento – Jesus Cristo – era inocente. E foi esta vítima, a pedra desprezada pelos construtores, que se tornou a pedra angular e o Deus da nova religião (Atos 4,11). Dessa forma, Cristo é Deus, pois, conhecendo intimamente o funcionamento da mente humana, ele próprio aceita sofrer o linchamento para revelar aos homens o que são e para extirpar a violência deste mundo.

O professor André Gounelle, teólogo protestante, afasta, em primeiro lugar, a ideia de que Deus teria sido inventado pelo clero, que queria se aproveitar da credulidade dos homens. Também reconhece que, por razões socioeconômicas e psicológicas, projetamos numa abstração (a Causa primeira do funcionamento do Universo, por exemplo) a ideia de um Deus pessoal, que tem uma relação de amor com os homens. Ele ainda diz que não há finitude relacionada a Deus. Sem dúvida, nós nos apropriamos dele, caracterizando-o e dando-lhe uma personalidade, porém, como uma ilha misteriosa que sempre permanece uma terra incognita, Deus fica infinitamente desconhecido. Ele se impõe, mas como um abismo de mistério. A religião é uma maneira de inventar meios para conduzir tal Mistério até nós, um pouco como criamos canalizações para direcionar a água das fontes até as nossas casas; entretanto, não se deve confundir a água viva de Deus com as canalizações dos rituais e doutrinas religiosas inventadas pelas Igrejas.

Os três colaboradores discutem, em seguida, a utilidade da religião, a ideia de Deus e também a origem das crenças religiosas

Deus: Uma Invenção? coloca à disposição do leitor  um diálogo surpreendente. A melhor forma de esclarecer sua singularidade consiste em contextualizá-lo.

Os três ensaios, assim como os debates aqui coligidos, tiveram origem num encontro organizado pelo pastor Alain Houziaux, em novembro de 2005. De igual modo, este livro foi publicado na coleção “Questions de Vie”, que, como o título sugere, pretende abordar temas atuais para um público não especializado.

No âmbito desse programa, o pastor Houziaux convidou o teólogo protestante André Gounelle e o pensador (católico) René Girard. Afinal, a coleção “Questions de Vie” ambiciona propor questionamentos cuja relevância tenha caráter ecumênico, atraindo mesmo aqueles que não são religiosos.

Sobre o título “Deus: Uma Invenção?” é interessante recordar George Steiner, autor de The Grammars of Creation,em que o crítico literário recupera uma distinção fundamental para a pergunta que estrutura este livro. Ao mesmo tempo, tal resgate esclarece a potência do pensamento girardiano.

De acordo com Steiner, criar, do latim creare, implica o gesto de produzir o novo no próprio instante da criação, trata-se da utópica creatio ex nihilo. Inventar, pelo contrário, do latim invenire, envolve um ato mais modesto, pois significa encontrar, descobrir, e, muitas vezes, fazê-lo acidentalmente. Portanto, inventar supõe a existência de elementos prévios, que devem então ser rearranjados em novas disposições. Ora, em alguma medida, é como se a pergunta-título – Deus é uma invenção? – fosse uma pergunta-armadilha, pois, uma vez que se estabelece a moldura do verbo invenire, a resposta não pode senão confirmar o juízo que já se encontrava implícito no questionamento.

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